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sábado, 19 de dezembro de 2009

João Saldanha de volta ao Maracanã


"Meus amigos..."
No próximo dia 21, vamos inaugurar a estátua de João Saldanha, no Maracanã, palco onde ele mais brilhou. A grande homenagem terá a participação do presidente Lula, convidado pelo governador Sergio Cabral, que aceitou prontamente o meu pedido para fazer a estátua e fez, em tempo recorde. Somos três vascaínos homenageando João. É um momento de festa e eu estou muito feliz porque completo um ciclo de homenagens e trabalhos para reconstruir a vida e a obra de um dos maiores e melhores brasileiros de todos os tempos.
Alguns registros precisam ser feitos. João Saldanha nos deixou em 12 de julho de 1990, durante a Copa da Itália, e de lá para cá já se passaram quase 20 anos. Muitos governantes exerceram seus mandatos em Brasília, no governo do estado e na prefeitura, mas só agora será realizada uma homenagem do tamanho de João Saldanha.
Uma cena me marcou para sempre: o corpo de João chegando ao Brasil, pelo setor de cargas da Base Aérea do Galeão, recebido apenas por alguns familiares e poucos companheiros do PCB, entre eles o dirigente do Comitê Central, Geraldo Rodrigues dos Santos, o Geraldão.
Os amigos de João pediram ao presidente da Federação de Futebol do Rio que ele fizesse um minuto de silêncio na partida seguinte do campeonato. Ele negou. Quando tive a oportunidade de entrevistá-lo para o meu livro e filme fiz uma provocação. Disse que eu tinha ouvido alguém falar que queria fazer uma estátua do João. Ele foi radicalmente contra, claro, mas a idéia ficou na minha cabeça. Numa noite dessas, escrevi ao governador e fiz a sugestão. Sérgio Cabral topou na hora e João, agora volta ao Maraca, de forma definitiva.
Foi no gramado do gigante que João conquistou seu primeiro título como técnico do seu Botafogo. O timaço jogava por música. Era tempo de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Paulo Valentim e Quarentinha, depois Zagallo. Final memorável em 1957. Botafogo e Fluminense. O tricolor, com Telê, seria campeão com um empate. O time de João arrasou e foi campeão com uma inesquecível goleada: 6 a 2.
Foi também no Maracanã que João classificou a sua seleção de feras para a Copa de 1970. Na final das eliminatórias, Brasil x Paraguai, o estádio recebeu o maior público de sua história. Mais de 200 mil pessoas torceram pelo Brasil de João, Tostão, Pelé, Edu, Jairzinho, Gérson, Brito e Piazza. O Brasil voltou a acreditar que seria possível vencer a Copa e trazer o caneco.
No mesmo Maracanã, depois de ser demitido da seleção, em período controverso e de ditadura militar, João tornou-se o "comentarista que o Brasil inteiro consagrou". O João sem medo, que nunca abriu mão de seus princípios e sempre enfrentou os inimigos de frente.
João revolucionou a linguagem esportiva no rádio, na tv e nos jornais, e era possível ouvir os seus comentários de rádio em rádio, correndo o Maracanã, os bares e portarias.
Mas quem só conheceu o João Saldanha do futebol e do jornalismo, não conheceu João na sua totalidade. Ele mesmo dizia que dava mais importância ao que havia feito na política do que no futebol. Quando estava na pesquisa para livro e filme, mergulhei na investigação. João participou ativamente de todas as grandes lutas políticas de seu tempo. Descobri que a marca de João Saldanha estava registrada pelo país afora:
Na organização dos estudantes comunistas, na luta pela paz e contra a bomba atômica, na campanha O Petróleo é nosso, na construção da primeira grande greve de São Paulo - a greve dos 300 mil, na guerrilha de Porecatu, na luta contra o golpe de 64, pela democracia, contra as torturas e mortes, pela anistia, nas Diretas Já, na redemocratização, na campanha de Tancredo Neves e no PCB legal.
Por tudo isso, João merece voltar ao Maraca, merece a estátua - a cariscultura, como batizou o seu escultor, meu amigo Ique, que foi mestre e brilhante como João. A estátua está linda. Quando Juca Kfouri viu as fotos da miniatura, me escreveu e resumiu: é o João. É ele.
Ique já era craque, passou a ser uma das feras do Saldanha.
Faço questão de agradecer ao governador, pela decisão e sensibilidade; ao presidente, pela reverência; especialmente, o meu muito obrigado para a secretária de esportes, Marcia Lins, que vestiu a camisa de João, foi incansável no projeto e uma das maiores incentivadoras; e ao comandante do Maracanã, Sávio, que iniciou todo esse processo quando me ofereceu o estádio para relançar meu livro. Eu disse a ele que tinha coisa maior para fazer por João.
E Saldanha está de volta ao Maracanã.
Viva João Saldanha.

terça-feira, 9 de junho de 2009

MINC ZONA SUL

Quanto mais brigas o ministro Carlos Minc provocar com ruralistas, grileiros e ministros, mais perto ele fica do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Essa é a minha percepção. Minc é o nome mais viável na Zona Sul do Rio, região onde é mais forte o adversário do governador Sérgio Cabral Filho, o deputado Fernando Gabeira.
Claro, isso, se Cabral for mesmo o vice de Dilma Rousseff.

terça-feira, 26 de maio de 2009

APOSTAS PARA O SENADO EM 2010

Depois de publicadas algumas pesquisas de intenção de voto para eleger os senadores do Rio de Janeiro, os analistas políticos e marqueteiros abriram a rodada de apostas. Não tenho vocação para futurólogo, mas ficam algumas informações e elementos pra reflexão.
A primeira, da regra do jogo, é que vamos eleger dois senadores. Isso impõe uma estratégia acumulativa, ou seja, tentar grudar o candidato mais forte no mais fraco e apresentá-los como uma força só, que pensa igual e tem os mesmos projetos.
As eleições no Rio devem ser, pelo que diz o noticiário, uma guerra entre governo e oposição, sem alternativas outras. Vai ser quem é Lula de um lado e quem é Serra de outro; quem é Sérgio Cabral e quem é Fernando Gabeira/Cesar Maia.
Para o governo do estado, tenho poucas dúvidas. O fiel da balança será o apoio de Anthony Garotinho e seus aliados no interior e na capital. O segundo maior eleitor será Wagner Montes, caso não seja candidato, claro. Mas sobre o governo, falarei depois. Mais interessante será a corrida pelas vagas para o Senado.
Os números indicam, analisados todos os cenários, um placar assim - sempre utilizando o maior índice obtido por cada candidato: Crivella 44%; Cesar Maia 36%; Gabeira e Jandira 35%; Benedita da Silva 27%; Denise Frossard 25%; Picciani 12% e Lindberg 8%.
Os campos de votos também parecem definidos. Quanto mais popular o voto, mais governo. E as dificuldades são claras. Cesar Maia e Gabeira entram pouco na área popular e Lula, Sérgio Cabral, Crivella e Benedita teriam enormes obstáculos para avançar na Zona Sul e região metropolitana. Os apoios de Eduardo Paes, Jandira Feghali e Lindberg podem ajudar nessa região, principalmente na Zona Sul, mas é terra do adversário dos governos.
A questão é quem vai disputar o governo e o Senado. Cesar Maia e Gabeira sabem que suas chances maiores estão no Senado, numa eleição em que até mesmo os dois poderiam ser eleitos, dependendo do cenário final. Mas a chapa precisa ter um candidato forte para o governo. Poderia ser Garotinho, mas parece que a conversa com o PSDB não deu samba.
Nessa brincadeira, quem não der bola para Garotinho, pode acabar sem bola.