quinta-feira, 3 de junho de 2010

Biografia João Saldanha Uma Vida em Jogo no Facebook


Meus amigos, criei no Facebook a página do meu livro "João Saldanha, uma vida em jogo". Lá, vamos relembrar algumas histórias e frases que marcaram a biografia do João.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Viva Martinho da Vila

Alguma coisa está estranha na eleição da Academia Brasileira de Letras. Martinho da Vila não recebeu nenhum voto. Ele não teria sido candidato sem apoio, sem convite. Parece que os imortais atravessaram o samba na avenida.
Mas Martinho da Vila já é nosso acadêmico, com ou sem fardão. Aliás, com a camisa do Vasco ou com o manto azul e branco da Vila Isabel.

E lá vai o Brasil

O Brasil venceu, mas apanhou muito. Como bate o time de Zimbábue!
Gols de Michel Bastos, Robinho e Elano. Valeu para esquentar.
Veja os gols:

O jazz de Raul de Souza e Wayne Shorter

A dica de qualidade para o final de semana de quem vai para a Região dos Lagos é o Rio das Ostras Jazz & Blues, um dos raros festivais do gênero que sobrevivem no país.
Destaque para os trios do guitarrista Stanley Jordan e do contrabaixista Ron Carter, dois craques do Jazz, reverenciados em todo o mundo.
Imperdível também é o trombonista Raul de Souza, o Raulzinho. O cara é um maluco da melhor espécie e chegou a inventar um trombone: o Souzabone.
Para esquentar, vale rever o encontro de Raul com o fantástico saxofonista Wayne Shorter.

Os números do Ibope no Rio

A eleição para governador do Rio de Janeiro terminaria no primeiro turno com vitória de Sérgio Cabral, segundo a mais recente pesquisa do Ibope. Cabral tem 43% das intenções de voto. Em segundo lugar está Anthony Garotinho, com 21%, e Fernando Gabeira aparece em terceiro, com 12% dos votos.
Quem acompanha eleições e joga futebol sabe que o jogo só termina quando o juiz apita, mas o caso do Rio é especial porque os três candidatos são nomes conhecidos do eleitorado.
E se Garotinho, enrolado em mais problemas com a justiça eleitoral, não conseguir limpar sua barra para ser candidato?

Ferreira Gullar, Camões e a Luta Corporal

Ganhar qualquer prêmio já é bom, mas o Prêmio Camões é o mais importante da literatura em língua portuguesa. E o maranhense José Ribamar Ferreira mereceu a conquista anunciada ontem, em Lisboa. Ele é o nosso poeta Ferreira Gullar, um intelectual de uma safra especial da cultura brasileira.

Tive a honra de conhecer Gullar no final dos anos 70, no final da ditadura militar que o obrigou a sair do país, exilado. Eu era rapaz, sonhava em ser compositor e viver de música. Quando chegou a notícia de que ele havia retornado ao Brasil, logo arrumei um jeito de conhecê-lo. Pedi que o jornalista Milton Coelho da Graça, amigo comum, fizesse a ponte e me apresentasse.



Em uma semana estava no apartamento de Gullar, em Ipanema, com meu violão debaixo do braço e as mãos tremendo. Eu tinha musicado três poemas de seu livro "A Luta Corporal". Ele me recebeu muito bem e logo trouxe uma cerveja gelada. Sem muita demora, disse que havia feito uma música para um dos "Sete Poemas Portugueses", o de número 7, e queria mostrar a canção. Ele disse: "Toca aí". E em seguida sentou-se na minha frente e fechou os olhos. Tremi mais ainda e cantei. Ao final ele abriu os olhos e pediu: "Você pode tocar de novo?"

A mesma cena se repetiu mais duas vezes e eu aflito, sem saber se ele gostava ou não. No final, Gullar disse as duas palavras que eu queria ouvir: "Muito bom". Ninguém imagina a minha felicidade.

Depois do sufoco o papo correu solto e ele ainda me pediu para tocar a canção novamente. Tomei coragem e acabei perguntando se ele não tinha poemas inéditos, que dessem música, e ele me emprestou uma pasta com vários. Sai de lá como quem levava um tesouro. E era.

Ainda fiz música para outros cinco poemas e ainda hoje escutei, orgulhoso, a gravação da primeira, que passei a chamar de Duplo Espelho, com a concordância dele, claro. Um poema marcante.

7

Neste leito de ausência em que me esqueço
desperta um longo rio solitário:
se ele cresce de mim, se dele cresço,
mal sabe o coração desnecessário.

O rio corre e vai sem ter começo
nem foz, e o curso, que é constante, é vário.
Vai nas águas levando, involuntário,
luas onde me acordo e me adormeço.

Sobre o leito de sal, sou luz e gesso:
duplo espelho - o precário no precário.
Flore um lado de mim? No outro, ao contrário,
de silêncio em silêncio me apodreço.

Entre o que é rosa e lodo necessário,
passa um rio sem foz e sem começo.


Gullar, abraços e parabéns!

João no Redação Alvinegra

O blog Redação Alvinegra acompanhou a exibição do nosso filme "João" na abertura do Cinefoot e vibrou com as fabulosas histórias de Saldanha. Veja as entrevistas em http://www.redacaoalvinegra.com.br/16298/2010/06/01/redacao-entrevista-diretores-do-filme-joao/ ou abaixo: