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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um Dia Muito Especial



Nos bares e rodas de amigos a conversa rola e a gente conta fatos que marcaram as nossas vidas. Hoje, falei de um dia muito especial, 12 dezembro de 2009, quando inauguramos a estátua de João Saldanha no Maracanã. Eu propus e o governador Sérgio Cabral, que conheceu João em casa e no nosso Partidão, topou no mesmo momento; convidei meu amigo Ique para criar a peça e Cabral - diga-se, meu companheiro de lutas políticas do início da maturidade e para mim sempre Sérginho, mais do que realizar um sonho de homenagem ainda convidou Lula para o dia da inauguração, como já contei aqui no blog, na época. Naquele dia muito especial, dei meu livro de presente a Lula, a biografia "João Saldanha, uma vida em jogo". No dia 25 de dezembro, Ancelmo Gois, amigo de sempre, me presenteou com essa nota maravilhosa e a foto inesquecível, em sua coluna no Globo. Tudo muito especial. Coisa que só João Saldanha poderia fazer na minha vida. Vale reler para lembrar de João, um brasileiro que sempre emprestou sua vida pela real independência do Brasil.

sábado, 26 de junho de 2010

A estátua de Michael Jackson


Michael Jackson está de volta ao morro Dona Marta. É a impressão de quem já viu a estátua do astro do pop, inaugurada hoje. O escultor é o meu amigo Ique, cartunista de primeiro time. O mesmo que convidei para criar a estátua do João Saldanha, na calçada da fama do Maracanã. É craque.
O evento emocionou a comunidade e o artista. Posso assegurar que nas duas obras, Ique deixou uma marca. Os personagens homenageados não ganham apenas quilos de bronze, ganham vida.
A foto é Tássia Thum/G1.

Para quem quiser conferir a reação popular:

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Com Cabral, Lula, Pezão, Ique, Catarina e João





sábado, 19 de dezembro de 2009

João Saldanha de volta ao Maracanã


"Meus amigos..."
No próximo dia 21, vamos inaugurar a estátua de João Saldanha, no Maracanã, palco onde ele mais brilhou. A grande homenagem terá a participação do presidente Lula, convidado pelo governador Sergio Cabral, que aceitou prontamente o meu pedido para fazer a estátua e fez, em tempo recorde. Somos três vascaínos homenageando João. É um momento de festa e eu estou muito feliz porque completo um ciclo de homenagens e trabalhos para reconstruir a vida e a obra de um dos maiores e melhores brasileiros de todos os tempos.
Alguns registros precisam ser feitos. João Saldanha nos deixou em 12 de julho de 1990, durante a Copa da Itália, e de lá para cá já se passaram quase 20 anos. Muitos governantes exerceram seus mandatos em Brasília, no governo do estado e na prefeitura, mas só agora será realizada uma homenagem do tamanho de João Saldanha.
Uma cena me marcou para sempre: o corpo de João chegando ao Brasil, pelo setor de cargas da Base Aérea do Galeão, recebido apenas por alguns familiares e poucos companheiros do PCB, entre eles o dirigente do Comitê Central, Geraldo Rodrigues dos Santos, o Geraldão.
Os amigos de João pediram ao presidente da Federação de Futebol do Rio que ele fizesse um minuto de silêncio na partida seguinte do campeonato. Ele negou. Quando tive a oportunidade de entrevistá-lo para o meu livro e filme fiz uma provocação. Disse que eu tinha ouvido alguém falar que queria fazer uma estátua do João. Ele foi radicalmente contra, claro, mas a idéia ficou na minha cabeça. Numa noite dessas, escrevi ao governador e fiz a sugestão. Sérgio Cabral topou na hora e João, agora volta ao Maraca, de forma definitiva.
Foi no gramado do gigante que João conquistou seu primeiro título como técnico do seu Botafogo. O timaço jogava por música. Era tempo de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Paulo Valentim e Quarentinha, depois Zagallo. Final memorável em 1957. Botafogo e Fluminense. O tricolor, com Telê, seria campeão com um empate. O time de João arrasou e foi campeão com uma inesquecível goleada: 6 a 2.
Foi também no Maracanã que João classificou a sua seleção de feras para a Copa de 1970. Na final das eliminatórias, Brasil x Paraguai, o estádio recebeu o maior público de sua história. Mais de 200 mil pessoas torceram pelo Brasil de João, Tostão, Pelé, Edu, Jairzinho, Gérson, Brito e Piazza. O Brasil voltou a acreditar que seria possível vencer a Copa e trazer o caneco.
No mesmo Maracanã, depois de ser demitido da seleção, em período controverso e de ditadura militar, João tornou-se o "comentarista que o Brasil inteiro consagrou". O João sem medo, que nunca abriu mão de seus princípios e sempre enfrentou os inimigos de frente.
João revolucionou a linguagem esportiva no rádio, na tv e nos jornais, e era possível ouvir os seus comentários de rádio em rádio, correndo o Maracanã, os bares e portarias.
Mas quem só conheceu o João Saldanha do futebol e do jornalismo, não conheceu João na sua totalidade. Ele mesmo dizia que dava mais importância ao que havia feito na política do que no futebol. Quando estava na pesquisa para livro e filme, mergulhei na investigação. João participou ativamente de todas as grandes lutas políticas de seu tempo. Descobri que a marca de João Saldanha estava registrada pelo país afora:
Na organização dos estudantes comunistas, na luta pela paz e contra a bomba atômica, na campanha O Petróleo é nosso, na construção da primeira grande greve de São Paulo - a greve dos 300 mil, na guerrilha de Porecatu, na luta contra o golpe de 64, pela democracia, contra as torturas e mortes, pela anistia, nas Diretas Já, na redemocratização, na campanha de Tancredo Neves e no PCB legal.
Por tudo isso, João merece voltar ao Maraca, merece a estátua - a cariscultura, como batizou o seu escultor, meu amigo Ique, que foi mestre e brilhante como João. A estátua está linda. Quando Juca Kfouri viu as fotos da miniatura, me escreveu e resumiu: é o João. É ele.
Ique já era craque, passou a ser uma das feras do Saldanha.
Faço questão de agradecer ao governador, pela decisão e sensibilidade; ao presidente, pela reverência; especialmente, o meu muito obrigado para a secretária de esportes, Marcia Lins, que vestiu a camisa de João, foi incansável no projeto e uma das maiores incentivadoras; e ao comandante do Maracanã, Sávio, que iniciou todo esse processo quando me ofereceu o estádio para relançar meu livro. Eu disse a ele que tinha coisa maior para fazer por João.
E Saldanha está de volta ao Maracanã.
Viva João Saldanha.