quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A briga Quércia x Rui Xavier. Inesquecível.

As eleições vão se aproximando e a temperatura vai subindo. Os debates estão começando e os embates entre políticos e jornalistas esquentando a cada dia. Vale rever uma briga famosa entre Quércia e o jornalista Rui Xavier, durante entrevista no Roda Viva. E em outro vídeo, também do Roda Viva, o grande personagem Leonel Brizola.

Briga na TV do Acre



O candidato ao Senado João Correia (à esquerda) e o jornalista Demóstenes Nascimento (de terno) brigaram durante gravação de programa no Acre.

Natalie y Nat King Cole- Unforgettable 1992

Nada a dizer, só ver e ouvir.

sábado, 31 de julho de 2010

O Dia Criação (Porque hoje é Sábado)

O Dia da Criação

Macho e fêmea os criou.
Bíblia: Gênese, 1, 27

I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.

sábado, 24 de julho de 2010

Chico Buarque, "Vai Passar"

De Chico e Francis Hime.

O Dia do Escritor


Amanhã é o Dia do Escritor. Parabéns a todos os amantes das pretinhas - as teclas - e muito obrigado a todos os personagens que entram em nossas vidas através da literatura, cinema, tv, rádio e internet. É grande a minha lista de escritores preferidos, que me influenciaram, fizeram a minha cabeça: Rubem Fonseca, Jorge Amado, João Antonio, Ruy Castro, Dias Gomes, João Saldanha - claro, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Hemingway, Erico Veríssimo, Chico Buarque, Paulo Pontes, Gianfrancesco Guarnieri, Zuenir Ventura, Garcia Marquez... Mas um escritor, em especial, tem sido perseguido por mim quase diariamente: Gay Talese. Ele é genial. Aqui, um pouco do seu "Frank Sinatra está resfriado".

"Frank Sinatra, segurando um copo de bourbon numa mão e um cigarro na outra, estava num canto escuro do balcão entre duas loiras atraentes, mas já um tanto passadas, que esperavam ouvir alguma palavra dele. Mas ele não dizia nada; passara boa parte da noite calado; só que agora, naquele clube particular em Beverly Hills, parecia ainda mais distante, fitando, através da fumaça e da meia-luz, um largo salão depois do balcão, onde dezenas de jovens casais se espremiam em volta de pequenas mesas ou dançavam no meio da pista ao som trepidante do foIk­rock que vinha do estéreo. As duas loiras sabiam, como também sabiam os quatro amigos de Sinatra que estavam por perto, que não era uma boa idéia forçar uma conversa com ele quando ele mergulhava num silêncio soturno, uma disposição nada rara em Sinatra naquela primeira semana de novembro, um mês antes de seu qüinquagésimo aniversário.

Sinatra estava fazendo um filme que agora o aborrecia e não via a hora de terminá-lo; estava cansado de toda a falação da im­prensa sobre seu namoro com Mia Farrow então com vinte anos, que aliás não deu as caras naquela noite; estava furioso com um documentário da rede de televisão CBS sobre a vida dele, que iria ao ar dentro de duas semanas e que, segundo se dizia, invadia a sua privacidade e chegava a especular sobre suas ligações com os chefes da máfia; estava preocupado com sua atuação num especial da NBC intitulado Sinatra - um homem e sua música, no qual ele teria de cantar dezoito canções com uma voz que, na­quela ocasião, poucas noites antes do início das gravações, esta­va debilitada, dolorida e insegura. Sinatra estava doente. Padecia de uma doença tão comum que a maioria das pessoas a conside­ra banal. Mas quando acontece com Sinatra, ela o mergulha num estado de angústia, de profunda depressão, pânico e até fúria. Frank Sinatra está resfriado".