quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SOS Ilha Grande


É sacanagem! Por onde navega a polícia marítima? E a Capitania...? É caso de polícia! SOS Ilha Grande.

Poluição ameaça Lagoa Azul, cartão-postal da Ilha Grande
Por Emanuel Alencar
O Globo, 14 de setembro de 2011

RIO - A poluição num dos santuários da Ilha Grande mais apreciados por turistas - um trecho no mar conhecido como Lagoa Azul - será tema de uma sessão especial da Câmara dos Vereadores de Angra dos Reis, nesta quarta-feira, às 15h. Há um mês, o Ministério Público estadual recebeu um documento com denúncias sobre despejo de esgoto e outros poluentes, decorrentes de reparos de navios e plataformas de petróleo e do excesso de transatlânticos, entre a Lagoa Azul e a Ponta do Bananal. A convite do presidente da Casa, o vereador José Antônio Gomes (PCdoB), representantes de órgãos ambientais, da Capitania dos Portos e da Transpetro, que administra um terminal em Angra, foram convocados para discutir o assunto.

Na sessão, também serão debatidos os riscos de poluição provocados pela transferência de petróleo entre navios. A incidência de danos ambientais preocupa num momento em que o Porto de Angra passa por obras de ampliação e a circulação de embarcações aumenta a cada dia, impulsionada por atividades ligadas ao Pré-Sal.

Imagens revelam navios sendo pintados no meio da baía

O ponto que recebe a maior atenção de ambientalistas é uma área de cerca de 50 mil metros quadrados, distante dois quilômetros da Enseada do Bananal. A Marinha considera o trecho propício ao fundeio de embarcações - ou seja, onde navios e plataformas podem ficar estacionados. Mas a reclamação de moradores da ilha é que faltam parâmetros para ordenar o entra e sai de navios e plataformas do santuário.

Dono de uma pousada no Bananal, Carlos Kazuo é o autor do dossiê que foi enviado ao MP. No documento, constam imagens de vazamentos de óleo e denúncias de negligência ambiental de embarcações na Ilha Grande há quatro anos. Em 2009, ocorreu o caso mais grave: uma mancha de tinta proveniente da pintura de uma plataforma atingiu a Enseada do Bananal e o Sítio Forte. Há ainda imagens de navios tendo o casco pintado no meio da baía.


- A variedade de nacionalidades de navios que circulam pela Baía da Ilha Grande preocupa, pois não sabemos o que eles carregam nos cascos e nas águas de lastro. Há indícios de que uma espécie invasora de coral foi introduzida pelas embarcações - diz Kazuo.

Outras reclamações são o excesso de motores ligados próximo às praias e o despejo de materiais, como barras de ferros e lonas, no fundo do mar.

As análises das condições de balneabilidade das praias de Ilha Grande mostram que as límpidas águas características do lugar estão sob ameaça. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) faz coletas periódicas em cinco pontos de quatro praias - Provetá, Araçatiba, Saco do Céu e Abraão. No último boletim, divulgado em fevereiro, a Praia de Provetá foi considerada imprópria para o banho.

Outro teste, feito em março pelo laboratório da Selo Verde Consultoria, credenciado pelo Inea, constatou alto índice de coliformes fecais entre a Ponta do Bananal e a Lagoa Azul: 1.100 por mililitro. Mas a gerente de Qualidade da Água do Inea, Fátima Soares, ressalta que é necessário ter uma série histórica com pelo menos seis análises para uma conclusão precisa sobre a balneabilidade.

A qualidade é satisfatória quando, em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver no máximo mil coliformes fecais por cem mililitros de água, conforme estabelece a resolução 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Para a bióloga Denise Gueiros, responsável pela análise, a presença de 1.100 coliformes por mililitro indica contaminação a 50 metros da praia:

- Com certeza, houve contaminação no local por fezes humanas, pois o resultado ultrapassa os parâmetros comuns naquela região.

A própria atividade turística contribui para a degradação ambiental da Lagoa Azul, diz o superintendente regional do Inea na Ilha Grande, Júlio Avelar:

- Muitas embarcações jogam material orgânico nas águas. Mas a falta de saneamento é o principal problema.

Ele concorda que é preciso fixar parâmetros para a atracação de navios e plataformas na Baía da Ilha Grande. E reconhece dificuldades na fiscalização:

- É possível que haja plataformas que cheguem sem a anuência do Inea. Algumas irregularidades estão acontecendo. Por isso, é necessário um trabalho conjunto da Capitania dos Portos, do Inea e do Ibama.

Baía da Ilha Grande recebe 80 navios por mês

Para o presidente da Câmara de Angra, José Antônio Gomes, o objetivo da audiência é alertar para a poluição numa área de forte apelo turístico:

- Por mês, chegam 80 navios à Baía da Ilha Grande. Sem contar com as temporadas de férias. É preciso discutir uma alternativa para que essa maravilha seja preservada.

Já para o presidente da TurisAngra, Daniel Santiago, é preciso expandir as opções de roteiro turístico, para "desafogar as áreas com muita concentração de embarcações, como a Lagoa Azul".

A Capitania dos Portos de Angra não retornou as ligações do GLOBO. Já a Transpetro informou que não faz reparos navais na região de Angra nem opera plataformas.

Gaspari, sempre genial

Excelente ideia de Elio Gaspari de rebatizar com o nome de Eduardo Paes a escola que ficou em último lugar em desempenho. Bela multa!

De Sergio.Buarque@edu para Dilma@gov
ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 14/09/11

Afastem de mim esse cálice e troquem o nome da escola, chamem-na "Prefeito Eduardo Paes"

Companheira Dilma, Veja o que fizeram comigo. A Prefeitura do Rio deu meu nome a uma escola municipal da Barra da Tijuca, e ela foi a última colocada na lista de desempenho dos colégios da cidade. Fez 467 pontos, contra 761 do campeão (o São Bento) e 553 da média nacional. Meu primeiro impulso foi escrever ao prefeito Eduardo Paes repetindo-lhe um pedido do meu filho: "Pai, afasta de mim esse cálice". Tire o meu nome desse pecado. O Evaristo de Moraes, que está aqui comigo, lembrou que proibiu que dessem seu nome a presídios.

Criminalista, não queria ser associado a misérias. Você mesma viveu o absurdo de ser uma das detentas de um presídio chamado Tiradentes. Escrevo-lhe para que leve minha zanga ao prefeito. Ele tem medo de você.

Gastei meus primeiros 80 anos estudando nosso país, a vida e lecionando. Daqui, vi o que aconteceu com a repórter Cibelle Brito quando ela quis saber porque a minha escola foi reprovada. Dois professores trocaram algumas palavras com ela, mas não quiseram dizer seus nomes. Só os alunos falaram, queixando-se.

Companheira, olhe para a Escola Municipal Sérgio Buarque de Hollanda com atenção. Está mal conservada e os professores reclamam dos salários, mas há algo mais profundo. É a condição dos "desterrados em nossa terra". Os moradores daquele pedaço da Barra da Tijuca desterraram seus filhos para bons colégios, em outros bairros. Quem estuda lá são os desterrados de outras localidades, mais pobres.

Outro dia o Darcy Ribeiro (sempre encantado pela Leila Diniz) ria do desconforto causado na burocracia educacional pelas avaliações dos desempenhos das escolas. Os americanos transformaram o desempenho em pedra angular de seu sistema. Copiamos. Agora os americanos começam a criticar essa aferição, falamos em destruí-la. Tudo ou nada. Não entra no debate o absurdo de escolas que não servem aos moradores de suas localidades. A aferição é apenas uma medida. Sem mais nada, nada é. Sabendo que citar Sérgio Buarque dignifica qualquer texto, cito-me: "De todas as formas de evasão da realidade, a crença mágica no poder das ideias pareceu-nos a mais dignificante em nossa adolescência política e social".

Para que não se diga que estou num exercício livresco, faço-lhe uma proposta. Continuem a dar o nome dos outros a escolas, mas a partir de hoje, toda vez que um colégio ficar em último lugar no Enem, abaixo da média nacional, a homenagem será suspensa temporariamente, e a instituição, rebatizada com o nome do prefeito ou do governador. (No caso de escolas federais, com o seu.) Assim, peço à garotada da "Sérgio Buarque de Hollanda" que não queiram mal a este velho fuçador de documentos, mas, a partir de hoje, digam que estudam na Escola Municipal Eduardo Paes.

Despeço-me desejando-lhe um bom governo, certo de que este fundador do PT ainda não tem motivos para rasgar a carteirinha (nº 003). Passaram-se 75 anos da publicação do meu "Raízes do Brasil" e, felizmente, posso dizer que a democracia, no Brasil, já não é "um lamentável mal-entendido".

Sérgio Buarque de Hollanda

quinta-feira, 28 de julho de 2011

João Saldanha na TV Brasil


Legal a matéria do site da Revista do Cinema Brasileiro sobre a minha entrevista falando do nosso filme "João". Eles produziram um programa sobre documentários brasileiros. Na pauta, além do "João", "Bezerra da Silva" e "Serra Pelada". Todos produzidos pela TV Zero. O programa vai ao no próximo sábado, 20h30, na TV Brasil.

"Dois Jornalistas"

“Mais do que qualquer coisa eu sou um jornalista”. Foi com essa afirmação que começou o meu papo com André Iki Siqueira, autor da elogiada biografia “João Saldanha, Uma vida em Jogo” e diretor do documentário João, longametragem sobre a vida do jornalista e comentarista de futebol João Saldanha. Com a afirmação Iki, gentilmente, só quis deixar claro que mais do que um trabalho ficcional, estético e de construção cinematográfica, o filme João é um trabalho minucioso de pesquisa de campo, acervo e textual. Um trabalho realmente jornalístico do ponto de vista do diretor. Sério e compenetrado, Iki, quase se deixou trair pela emoção ao falar daquele que parece ser seu grande ídolo, João Saldanha, o jornalista e também ativista político que marcou a história do futebol brasileiro. “Tanto o filme como o livro são os trabalhos que eu tenho mais orgulho na minha vida. Mas eu acho que o mais importante para mim foi conseguir produzir, dirigir um filme reconstruindo, a vida de uma pessoa que realmente sempre esteve em jogo”, disse Iki.

Geovana Cypreste

terça-feira, 19 de julho de 2011

Estão querendo enganar quem?

João Ubaldo Ribeiro - O Globo e O Estado de S.Paulo


Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas - ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas. Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de "ajudas", nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de "consultoria" e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência. Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para "se fazer". Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em "colocar" um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis - ninguém é perfeito.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O Maracanã e você

Meu Maracanã no Blog do Juca Kfouri. Começou o jogo!!! Valeu, Juca!!!

O Maracanã e você

André Iki Siqueira, autor do excelente “João Saldanha, Uma Vida em Jogo”, pela Companhia Editora Nacional, começou uma nova empreitada: “Maracanã, Inesquecível”.

Quer colher 30 depoimentos com histórias saborosas sobre o templo e começou por ouvir Chico Buarque de Hollanda.
Ouvirá do sorveteiro ao artilheiro, passando por treinadores, cartolas, craques, jornalistas, enfim, pelas mais variadas personalidades.

Quem sabe consiga ouvir até a grã-fina de nariz de cera de Nelson Rodrigues que perguntava quem era a bola.

E Siqueira aceita contribuições neste endereço:maracanainesquecivel@globo.com

Nada mais oportuno até porque o Maracanã que todos nós conhecemos não existe e nem existirá mais, graças à Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Maracanã, Inesquecível

Nota publicada ontem na coluna Gente Boa, de Joaquim Ferreira dos Santos - O Globo. Quem tiver boas histórias: maracanainesquecivel@globo.com.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Mão leve tcheca

Sucesso na web. "TV mostra presidente tcheco 'furtando' caneta em coletiva No YouTube, imagens já receberam mais de 600 mil acessos. Vaclav Klaus participava de coletiva com chileno Sebastián Piñera". Assista: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/04/tv-mostra-presidente-tcheco-furtando-caneta-em-coletiva.html