sábado, 2 de novembro de 2013

A vida dos outros e as nossas

Meu artigo sobre a polêmica das biografias, publicado hoje no site da Folha de S. Paulo: http://folha.com/no1365781


A VIDA DOS OUTROS E AS NOSSAS

*André Iki Siqueira


Afinal, a gente pode ou não pode falar da vida dos outros?

Tenho acompanhado diariamente a grande polêmica sobre as biografias, censura, privacidade e direitos. As divergências estão bem nítidas entre os que defendem a liberdade dos escritores e quem veta ou restringe. Todos os argumentos estão na mesa e os ministros vão bater o martelo. Entendo a posição dos que sempre lutaram pela democracia e querem preservar as intimidades e suas famílias. E acho que não merecem patrulhamento. É diferente do grupo de parlamentares que obstruem as biografias apenas com a intenção de esconder suas conspirações, corrupção e crimes. Eu subscrevi o manifesto dos escritores e quero dar minha contribuição. O tema ganhou espaço na imprensa e chegou aos botequins, onde muito se fala da vida de todo mundo em calorosos debates, que muitas vezes terminam mal.

Nos veículos de comunicação, todos os dias, a vida dos homens públicos é exposta e qualquer biografia pode ser arranhada definitivamente. Não é necessário pedir autorização aos atacados ou às suas famílias. Claro, existe liberdade de imprensa e há regras, muitas até discutíveis. Nenhum compositor pede autorização para usar o nome de um personagem numa de suas canções. As escolas de samba também têm liberdade para fazer e comercializar o seu carnaval sobre uma personalidade, transmitindo por televisão para todo o planeta. Grandes sambas-enredos biográficos passaram na avenida.

Quando decidi pesquisar a vida de João Saldanha para posteriormente escrever sua biografia (“João Saldanha, uma vida em jogo”, Companhia Editora Nacional) e dirigir um documentário sobre a fera (“João Saldanha”, Tv Zero), quis reconstruir a trajetória de um personagem que ficara com fama de mitômano e bêbado, por conta de vários comentários em redações, bares e até em livros. Eu tinha o desafio de provar o contrário e estabelecer a verdade ou comprovar que João, meu ídolo e referência no futebol, desde criança, era realmente o que se falara antes. Não era. A pesquisa revelou que Saldanha foi muito mais do que todos sabiam. Antes de ser o técnico que montou a seleção brasileira campeão de 1970 e virar o comentarista que o Brasil inteiro consagrou, João havia participado ativamente de todas as lutas políticas por um país democrático e livre. A sua história cruzava com a nossa história. 

Meu primeiro movimento foi procurar a família de João, pedir a autorização e convidar seus parentes para participar do projeto. A família Saldanha é um exemplo que merece homenagens. Nunca me pediram nada e só conheceram o livro e o filme nos dias de seus lançamentos. O que fiz, por decisão da editora, foi enviar para cada entrevistado apenas os trechos que continham suas declarações e solicitar a aprovação e autorização para publicar. O documentário só foi visto pela família na estreia, durante o festival “É Tudo Verdade”. Mas sei que o comportamento dos Saldanha é uma raridade no nosso meio.

Fico feliz com a posição do ministro da Justiça José Eduardo Cardozo a favor da liberdade dos biógrafos, mas aqui vai uma dica para o governo. Quando quis andar com meu segundo projeto de documentário biográfico, esbarrei numa exigência da Ancine: a autorização dos herdeiros do personagem. E parei. O Estado facilita a censura prévia. É preciso rever e mudar. Se fosse nos EUA, Michael Moore não teria produzido quase nenhum de seus filmes, como Tiros em Columbine, onde o diretor apresenta imagens e acusa o ator Charlton Heston, que certamente não daria autorização para o uso.


No tempo da internet, não há mais como segurar a difusão de uma obra. Vai proibir na livraria, mas o texto estará na rede, mascarado ou não, com título alterado e capa fake. As biografias virais.


Vou continuar escrevendo biografias e dirigindo documentários sobre personalidades que fazem parte das nossas vidas. É a vida dos outros dentro das nossas, é História. Escrever com responsabilidade, respeito e sempre verdadeiro. As biografias “difamatórias” são uma exceção e a Justiça é o caminho para reparação e punição aos erros, difamações e ofensas. Mas escrever sempre com liberdade. A mesma liberdade que garante ao entrevistado de um jornal, revista, rádio ou tv, denegrir a imagem de quem quer que seja, principalmente se for um ídolo nacional e reconhecido internacionalmente. Basta uma linha, uma palavra para se queimar em definitivo um personagem.

E depois de tudo que li, ouso dizer que os gênios também erram.


*André Iki Siqueira, 53, é biógrafo e documentarista.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A biografia das biografias


O Brasil vive um grande debate sobre as chamadas biografias não autorizadas, liberdade de expressão, direitos, censura, privacidade e royalties. É um jogo duro. De um lado os maiores ídolos da Música Popular Brasileira e os políticos, contra as biografias não autorizadas, e do outro, escritores, jornalistas, editores, outros músicos e políticos. O último lance foi a entrevista do cantor e compositor Roberto Carlos, que integra o grupo Procure Saber, ao programa Fantástico, da TV Globo.
Eu assinei o manifesto dos escritores e defendo a liberdade dos biógrafos e entendo que os ofendidos devem ter na Justiça - rápida, a reparação dos erros e calúnias, com penas pesadas.
Abaixo, transcrevo uma série de artigos, matérias e entrevistas sobre o tema, como contribuição aos que procuram saber e não entendem ou não conheceram as principais posições. Destaco as que considerei mais relevantes, de ambos os lados da polêmica.

Quem me conhece, sabe que a trilha sonora da minha vida reúne muitas músicas dos meus ídolos, agora, em lados opostos. Chico Buarque, Gil, Caetano e Djavan estão espalhados na minha casa, em LPs, CDs, DVDs, fotos, livros e partituras. Encontro com eles todos os dias. Até no som do meu carro eles estão. É doído estar contra eles.

O manifesto dos escritores
 
Manifesto dos intelectuais brasileiros contra a censura às biografias

Desde o século XIX, a Biografia teve papel importante na construção da nossa ideia de Nação, imortalizando personagens e ajudando a consolidar um patrimônio de símbolos e tradições nacionais.

Mais recentemente, na segunda metade do século XX, a Biografia ganhou outra dimensão: além de relatar os feitos dos grandes nomes, transformou o pno Brasil tal forma de manifestação encontra-se em risco em virtude da proliferação da censura privada que é a proibição das biografias não autorizadasersonagem em testemunha de sua época. A Biografia moderna não é só a história de uma pessoa, mas também de uma época, vista através da vida daquela pessoa.

No Brasil, tal forma de manifestação encontra-se em risco, em virtude da proliferação da censura privada, que é a proibição das biografias não autorizadas.

A ninguém é dado impedir a livre expressão intelectual ou artística de outro, garantia consagrada na Constituição democrática de 1988, que baniu definitivamente a censura entre nós. Por isso, não faz sentido exigir-se o consentimento prévio da personalidade pública cuja trajetória um autor ou historiador pretende relatar (e, menos ainda, exigir-se a autorização de seus familiares, quando já falecido o biografado), como condição para a publicação de Biografias.

É apropriado que a lei proteja o direito à privacidade. Mas este direito deve ser complementado pela proteção do acesso às informações de relevância para a coletividade, na forma de tratamento distinto nos casos de figuras de dimensão pública, os chamados protagonistas da História: chefes de Estado e lideranças políticas, grandes nomes das artes, da ciência e dos esportes.

O Brasil é a única grande democracia na qual a publicação de Biografias de personalidades públicas depende de prévia autorização do biografado. Um país que só permite a circulação de biografias autorizadas reduz a sua historiografia à versão dos protagonistas da vida política, econômica, social e artística. Uma espécie de monopólio da História, típico de regimes totalitários.

Este erro produz efeito devastador sobre a atividade editorial. A necessidade do consentimento prévio das pessoas retratadas nas obras cria um balcão de negócios de valores vultosos, em que informações sobre a nossa História são vendidas como mercadorias.

Há um efeito ainda mais grave no que tange à construção da memória coletiva do país. O conhecimento da História é um direito da cidadania, independentemente de censura ou licença, do Estado ou dos personagens envolvidos. O ordenamento jurídico deve assegurar pluralidade, cabendo à sociedade e ao cidadão formarem livremente sua convicção.

É pertinente lembrar que a dispensa do consentimento prévio do biografado não confere ao autor imunidade sobre as consequências do que escrever. Em casos de abuso de direito e de uso de informação falsa e ofensiva à honra, a lei já contém os mecanismos inibidores e as punições adequadas à proteção dos direitos da personalidade.

Hoje, quando a sociedade clama pela ética e pela plena liberdade de expressão, está mais do que na hora de eliminar este entulho autoritário e permitir novamente que os brasileiros possam ter acesso à sua própria História.

Assim, os intelectuais brasileiros apoiam as iniciativas legislativas e judiciais voltadas à correção dessa anomalia do ordenamento jurídico brasileiro, de maneira a permitir a publicação e a veiculação de obras biográficas sobre os protagonistas da nossa História, independentemente da autorização dos personagens nelas retratados.

Assinam:
Afonso Arinos de Mello Franco
Alberto Costa e Silva
Alberto Venâncio Filho
Alexei Bueno
Ana Maria Machado
André Amado
Antônio Carlos Secchin
Antonio Torres
Arnaldo Niskier
Boris Fausto
Candido Mendes de Almeida
Carlos Heitor Cony
Carlos Nejar
Celso Lafer
Cícero Sandroni
Cleonice Berardinelli
Cristovão Tezza
Domício Proença Filho
Eduardo Portella
Evanildo Bechara
Fernando Morais
Ferreira Gullar
Geraldo Holanda Cavalcanti
Ivan Junqueira
João Máximo
João Ubaldo Ribeiro
Jorge Caldeira
José Murilo de Carvalho
Lira Neto
Luis Fernando Veríssimo
Manolo Florentino
Marco Lucchesi
Marcos Vilaça
Mário Magalhães
Mary del Priore
Merval Pereira
Milton Hatoum
Murilo Melo Filho
Nélida Piñon
Nelson Pereira dos Santos
Roberto da Matta
Roberto Pompeu Toledo
Rosiska Darcy de Oliveira
Ruy Castro
Sergio Rouanet
Silviano Santiago
Ziraldo
Zuenir Ventura
 

 

terça-feira, 14 de maio de 2013

João no Engenhão



Parece que a turma da direita não gostou da minha entrevista para o Blog do Mário Magalhães, no Uol...


Nome de Havelange no Engenhão

é como criar ‘estádio Paulo Maluf’,

diz biógrafo de João Saldanha

Mário Magalhães
13/05/2013



João Saldanha, com a criança no colo, em 1959; sentado, aparece o jornalista Sandro Moreyra / Foto do Fundo “Última Hora”, Arquivo Público do Estado de São Paulo
( Para seguir o blog no Twitter: @mariomagalhaes_ )
No Brasil da ficha limpa, “não faz sentido” manter a homenagem a João Havelange, batizando com seu nome o Engenhão. É o que pensa o jornalista André Iki Siqueira, biógrafo de João Saldanha (1917-90), o nome que defende para substituir o do ex-presidente da Fifa no estádio carioca.
Para o jornalista, o problema não se limita ao território nacional. “O nome de João Havelange gera também um constrangimento internacional”, afirma nesta entrevista em que provoca: “Alguém imaginaria batizar um novo estádio em São Paulo com o nome de Paulo Maluf?”.
Siqueira é autor da biografia “João Saldanha, uma vida em jogo” (Companhia Editora Nacional, 2007). (Transparência: tive a sorte de assinar o prefácio do livro). Dirigiu com Beto Macedo o filme “João Saldanha”, que recebeu numerosos prêmios e saiu em DVD em 2012.
Foi um dos pioneiros na crítica à escolha do nome de Havelange para o Engenhão, quando o cartola ainda não renunciara à presidência de honra da Fifa em virtude de um escândalo de recebimento de propinas. A renúncia ocorreu em abril.
Hoje André Iki Siqueira escreve um livro e uma série de TV sobre a história do velho Maracanã. Biógrafo do botafoguense João Saldanha, o jornalista é vascaíno.
*
Qual o problema com o nome de João Havelange no Engenhão?
Não é com o nome, é com a biografia. O futebol no Brasil e no Rio envolve milhões de pessoas, sobretudo crianças e jovens. É uma paixão nacional, arte popular, como dizia João Saldanha. O estádio é como se fosse um templo e o nome do estádio deve ser de alguém que seja uma referência ética, um exemplo de vida, de trajetória profissional ligada ao esporte.
Fico imaginando a seguinte cena durante um jogo no Engenhão. O filho pergunta ao pai quem é tal personagem e por que ele merece ser o nome daquele estádio…?
No Brasil de 2013, da ficha limpa, da luta pela ética, da Comissão Nacional da Verdade, não faz sentido manter uma homenagem, que pode ter sido simbólica no momento passado, mas, hoje, é imprópria. O país não vive mais na ditadura militar nem o Rio tem ditador. Com todas as denúncias, o processo na Suíça, por corrupção ou recebimento de comissão, como queiram, e o seu afastamento da FIFA e do COI, o nome de João Havelange gera também um constrangimento internacional. O Engenhão é um equipamento que será utilizado por essas entidades. Havelange sempre perseguiu esses cargos. Se não teve condições de permanecer na FIFA, que ele ajudou a construir, não deve ficar no Engenhão para sempre. Já foi homenageado muito tempo.
Eu defendo um nome honrado, limpo, íntegro, um democrata: João Saldanha, que foi vítima de Havelange na seleção brasileira de 1970, durante a ditadura Médici.
Sua proposta de mudança de nome para João Saldanha foi feita antes de Havelange ser denunciado por propina?
Sempre fui contra o nome de Havelange no Engenhão ou em qualquer outro equipamento público, por questões ideológicas. Respeito quem pensa diferente, mas eu penso assim e o meu campo é claro, sou um homem de esquerda. Alguém imaginaria batizar um novo estádio em São Paulo com o nome de Paulo Maluf ou de algum personagem que apoiou ou foi ligado à ditadura no Brasil?
Depois das denúncias publicadas no mundo e da sua queda anunciada e, posteriormente, confirmada, fiquei mais convencido do que nunca.
O importante, primeiro, é ter sensibilidade para desfazer a homenagem eterna e considerá-la uma etapa do Engenhão. O nome do João Saldanha surgiu naturalmente. Há outros bons nomes, mas João é o mais completo.
Aí, quando fecharam o Engenhão para reformas, sugeri aproveitar o momento e reformar também o nome do estádio para João Saldanha, provocando o debate.
Mas é jogo duro. Tenho consciência que será preciso coragem política e atitude para fazer a mudança. Significa enfrentar um grupo poderoso, que manda no esporte nacional há muito tempo. Por isso estamos vendo essa situação que parece que a bola tá queimando no pé de quem precisa resolver o assunto. Na hora da onça beber água, tem gente pipocando
Por que Estádio João Saldanha?
Eu sou suspeito, mas não faltam razões para defender João Saldanha. Homem apaixonado por futebol – não por cargos ou negócios; apaixonado pelo Brasil e pelo Rio, cidade que adotou nos anos 30, vindo do Rio Grande do Sul. Virou o mais carioca dos gaúchos, popular, idolatrado, profundo conhecedor do futebol, treinador campeão pelo Botafogo de 1957, de Nilton Santos e Garrincha; técnico que montou e classificou a seleção de 70 para a Copa do Mundo, com as feras do Saldanha; o comentarista que o Brasil inteiro consagrou; escritor de primeira qualidade, respeitado em todo mundo do futebol, por profissionais, imprensa e povo. Um homem que sempre esteve com sua vida em jogo na defesa do Brasil, da liberdade e do esporte.
Imaginem o pai contando para o filho quem foi João Saldanha. Não é uma diferença gritante de resposta?
E futebol é alegria, mas também é escola de vida.
Que iniciativas estão em curso para que ocorra a mudança?
A mobilização está ganhando força na internet, entre jornalistas, botafoguenses e até vascaínos, como eu. A ideia surgiu no ano passado e foi lançada pelo Núcleo de Estudos e Projetos Esporte e Cidadania. Há uma iniciativa dos vereadores Eliomar Coelho, Paulo Pinheiro e Renato Cinco (PSOL), que encaminharam um projeto de lei na semana passada. Alguns deputados estaduais – Marcelo Freixo (PSOL) e Robson Leite (PT) – e federais também estão na defesa do nome de Saldanha, incluindo Romário (PSB) e Chico Alencar (PSOL). O presidente da Comissão Estadual da Verdade (RJ), Wadih Damous já defendeu a troca de nomes.
Mas o prefeito Eduardo Paes, com todo respeito, pisou na bola em entrevistas recentes, quando disse que é uma decisão do Botafogo e não vai alterar denominações de instituições ou de áreas públicas por não concordar com a homenagem. Citou os exemplos de uma escola que leva o nome de Emílio Garrastazu Médici e do viaduto 31 de março. Respeito sua posição, mas discordo. Aliás, seria uma boa oportunidade, aproveitando a sua lembrança, para trocar também o nome da escola, porque Médici é um péssimo exemplo para os alunos, o general-presidente do período mais duro da repressão política. A história avança, novos fatos vão surgindo e é preciso rever posições.
Mas afinal, o Botafogo pode dar nome eterno para um equipamento da cidade e que é seu apenas temporariamente?
Espero que o prefeito, vascaíno, que gosta de futebol, reflita, mude de opinião e troque de João. Vai dar até mais sorte ao Engenhão. Em outro momento, vale lembrar, o prefeito trocou a Cidade da Música por Cidade das Artes…
Quem decide sobre a mudança, a prefeitura ou a Câmara Municipal?
Está na hora de alguém explicar definitivamente de quem é o poder e não correr da bola dividida.
E se um dia a Prefeitura do Rio transferir o controle do Engenhão para outro clube, como ficaria o estádio, batizado com o nome de um botafoguense?
João Saldanha era Botafogo doente, mas era de todas as torcidas. É apenas uma coincidência. O Engenhão não é do Botafogo, é da cidade do Rio de Janeiro. João Saldanha era respeitado por torcedores de todos os clubes do Rio e do Brasil. Gente que ele conquistou com a sua seleção de craques, com seu talento comentando e escrevendo e sua sinceridade, transparência. Um dos melhores brasileiros de todos os tempos. E lembrar que Havelange torce para o Fluminense e Mário Filho era flamenguista. O time não importa, o que conta é a folha corrida.
Com a série de aumentos de custo na construção do Engenhão e os alegados problemas com a cobertura, será que o nome Havelange não tem mais a ver do que o de Saldanha?
Havelange ficou sem cobertura…
O que João Saldanha, corrido por Havelange da seleção depois de classificá-la para a Copa de 70, estaria dizendo agora que vêm à tona tantas histórias sobre o antigo presidente da Fifa?
“Vida que segue…”. “Foi pro vinagre”.
Entendo que trocar João Havelange por João Saldanha seria um ajuste de contas histórico.
Que história sobre Saldanha você considera a mais engraçada em seu livro?
João era um personagem dramaticamente completo, prato feito para um bom ator interpretar. A vida dele teve de tudo: tragédia, drama, aventura, amor e comédia. O temperamento do João e as suas ações eram sempre imprevisíveis. Difícil escolher a história mais engraçada entre tantas, mas a clássica é a dos tiros no goleiro Manga. João falando sobre a briga e as versões das pessoas que entrevistei, contando o caso com detalhes diferentes, é de rolar de rir: a arma era grande, pequena, dourada, prateada; atirou para o alto, para baixo; Manga saiu correndo e pulou um muro de altura que variava entre metro e meio e três metros… João disse que esperou Manga, deitado embaixo de um Fusca!
João era muito engraçado, tinha um humor fino. Fico pensando como seria João Saldanha com internet, Twitter e Facebook. Dinamite pura.
E a mais comovente?
De todo o material que pesquisei, a imagem que me marcou mais foi a chegada do corpo do João, em 1990, no setor de cargas do Galeão, dentro de um caixote, recebido por poucos parentes e companheiros do Partidão. Um desrespeito absoluto, descaso e injustiça. João Saldanha merece todas as homenagens dos brasileiros.
E a frase definitiva do seu amigo Oscar Niemeyer, “João, quanta falta você nos faz!”.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

DVD "João Saldanha"

Matérias sobre o lançamento do DVD do nosso documentário "João Saldanha". Produção Tv Zero, Coleção Canal Brasil. O filme também está disponível no Now, da Net, e nas boas casas do ramo.




terça-feira, 20 de março de 2012

João Saldanha no Odeon

Meus amigos,

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Show de Rubem Fonseca

Descobri via Twitter do Mauricio Stycer. É mesmo um show! Imperdível! Raro. Uma aula de Rubem Fonseca: "Todo autor tem que ser louco!" "E vocês aí não pensem que não sendo escritores também não são loucos" (Sem som nos 12 seg iniciais):


domingo, 26 de fevereiro de 2012

A CBF é nossa!

Lancei uma ideia. O futebol é tão importante para os brasileiros que o presidente da CBF deve ser eleito por voto direto da população.
Uma campanha: Eu quero votar para presidente da CBF.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

No forno

Estamos concluindo a edição do DVD do nosso filme "João Saldanha". Aí vai um trechinho...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Monalisa

Absurdo! Vídeo da Monalisa Perrone sendo empurrada durante cobertura de Lula. Jornal Hoje.

domingo, 30 de outubro de 2011

Lula

Rápidos comentários sobre a triste notícia do final de semana:

- Eu acredito em tudo na vida, principalmente dentro do meio político. E mesmo assim, fico perplexo porque alguns comemoraram a doença de Lula...

- Fico feliz porque li respeitosos "tweets" de lideranças sensatas da oposição, desejando a recuperação de Lula.

- Outros setores da oposição incorporaram o pânico diante da notícia.

- Independente da posição política e de gostos pessoais, Lula é o maior líder político vivo do Brasil, talvez o único de grande porte, que leve as massas para um comício sem show.

- Se continuarem nessa linha desumana, de ironias e baixarias, vão acabar transformando Lula em santo.

- Não tenho dúvidas de que Lula será mais forte depois de vencer o câncer.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mais Copa do Mundo

Copa do Mundo de 2014 3, 4...

- O mascote da Copa do Mundo 2014 deveria ser a criança pobre do Brasil, que passa fome e joga bola. Nada contra o Muriqui.

***

O novo ministro dos Esportes deveria ser nome do país e não de um só partido.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Pensatas...

Copa no Brasil 1.
Maracanã não ter a seleção antes da final é um absurdo. Pior talvez seja passar a Copa no avião, de estado em estado.

Copa no Brasil 2.
A seleção deveria ficar numa sede por fase, sem viajar, aeroportos, ônibus...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lei Cega



A lei que tenta tirar dinheiro do petróleo do Rio de Janeiro e dos estados produtores devia ser batizada de Lei Cega, com todo o respeito aos portadores de deficiência visual. Só um cego não enxerga o que foi o desastre do Golfo do México. Quem produz precisa mesmo ter mais recursos... E muito mais!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SOS Ilha Grande 4



Vamos anotar, guardar, fazer o calendário das promessas e acompanhar. Um olho na natureza e o outro no predador.

Ilha Grande ganhará área de proteção marinha até o fim de 2011
Por Emanuel Alencar
O Globo, 16 de setembro de 2011

RIO - Até o fim do ano, uma área marinha de 180 quilômetros quadrados no entorno da Ilha Grande, em Angra dos Reis, será protegida por uma unidade de conservação. A Secretaria estadual do Ambiente espera realizar em outubro uma audiência pública sobre a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha da Ilha Grande. Em seguida, a proposta será encaminhada para o governador Sérgio Cabral. O trecho, que vai de Mangaratiba até Paraty, tem um enorme potencial pesqueiro, ameaçado pela cada vez maior circulação de embarcações. Conforme O GLOBO vem noticiando desde quarta-feira, a falta de regulamentação da entrada de navios e plataformas de petróleo na baía ameaça a biodiversidade da região.

Documento constata desordem na região

Um relatório assinado por quatro técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) diz que a criação da APA é a forma mais adequada de "compatibilizar a conservação da natureza e o uso sustentável dos seus recursos naturais". O documento acrescenta que todas as atividades marítimas - com finalidades turísticas ou ligadas à exploração de petróleo - na Baía da Ilha Grande ocorrem hoje de forma desordenada.

A necessidade de preservar o porto com o maior desembarque de sardinha da costa brasileira é outro argumento em defesa da APA - foram capturadas na região mais de 12 mil toneladas do pescado num único mês, superando Santa Catarina. A criação da unidade marinha está inserida no plano de gestão integrada da Ilha Grande, projeto do Inea em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Os investimentos previstos nos próximos cinco anos chegam a R$ 46 milhões - dos quais R$ 4,1 milhões já foram liberados pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, da ONU com o Banco Mundial.

O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, ressaltou que a criação de unidades de conservação marinhas é um mecanismo que teve êxito em São Paulo.

- A ideia não é fechar a porteira (aos navios), é ordenar. São Paulo saiu na frente e, para se proteger dos impactos do Pré-Sal, criou suas unidades de conservação marinhas. Queremos seguir o mesmo caminho. Com a APA marinha, criaremos regras para o espelho d'água - afirmou o secretário.

A falta de fiscalização dos órgãos públicos é outro problema. O superintendente do Inea na Baía da Ilha Grande, Júlio Avelar, informou ontem que o órgão não conta com qualquer embarcação para inspecionar navios petroleiros, plataformas e rebocadores na área. Avelar disse que precisa pedir embarcações ao Ibama e à prefeitura de Angra dos Reis. De acordo com o superintendente, há apenas dois fiscais para atuar no trecho marítimo.

Superintendência do Inea deve ganhar embarcações

Segundo ele, a Capitania dos Portos de Angra tem outros seis navios.

- A superintendência tem sete funcionários para fazer todos os serviços, do licenciamento à fiscalização. Minha maior preocupação é com o boom de embarcações na baía quando as operações do Pré-Sal na Bacia de Santos começarem - ressaltou Avelar, que teve a promessa de Minc de receber duas embarcações de apoio.

Ontem, o vice-presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), Adrian Ursilli, disse ser favorável ao disciplinamento dos cruzeiros e transatlânticos na Baía da Ilha Grande. Mas acrescentou que as decisões precisam ser tomadas com antecedência. Em nota, o presidente da TurisAngra, Daniel Santiago, afirmou que a Ilha Grande está, com suas águas limpas e próprias para o banho, "de portas abertas para receber visitantes".

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SOS Ilha Grande 3


A ideia de um "xerife verde" para a Ilha Grande me lembrou a série Flipper, do golfinho. O ator Brian Kelly interpretava o guarda Porter Ricks. Apesar das diferenças, o espírito da proposta é o mesmo.

SOS Ilha Grande 2



Boa notícia para os que amam e defendem a Ilha Grande, um paraíso em perigo permanente. Não sei como é a estrutura, mas a Ilha precisa de um "xerife verde", uma equipe independente que fiscalize a região 24 horas por dia.
Também já sugeri ao nosso Carlos Minc que faça umas "incertas" por lá, de barco, helicóptero...


Contra poluição: Minc diz que transatlânticos serão limitados na Baía de Ilha Grande
Por Emanuel Alencar
O Globo, 15 de setemebro de 2011

RIO - O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, afirmou na quarta-feira que o número de transatlânticos será limitado na Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis. Minc disse ainda que promoverá, com a Capitania dos Portos, operações para coibir eventuais despejos irregulares de esgoto na região turística. As medidas foram anunciadas um dia depois de O GLOBO mostrar que o Ministério Público estadual recebeu um documento com imagens denunciando focos de poluição na baía .

- A limitação de transatlânticos é a mesma medida que adotamos em Búzios. No fim de outubro vamos lançar o plano de desenvolvimento sustentável da região, estabelecendo os critérios. Conheço a Lagoa Azul e reconheço que deve haver um controle mais forte. A gente não pode permitir em hipótese alguma que a Baía de Ilha Grande vire uma Sepetiba 2 - afirmou Minc, prometendo punir exemplarmente os que cometerem irregularidades.

Minc disse ainda que conseguiu a liberação de R$ 14 milhões do Fundo estadual de Conservação Ambiental (Fecam) para a execução de obras das estações de tratamento em três praias de Ilha Grande: Araçatiba, Saco do Céu e Provetá. A expectativa do secretário é que até o fim do ano estas estações estejam operando.

Presidente da Câmara diz que fiscalização é precária

O presidente da Câmara dos Vereadores de Angra dos Reis, José Antônio Azevedo Gomes (PCdoB), disse ontem, durante sessão especial, que o posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do município não funciona e que, por conta disso, as inspeções em embarcações na Baía da Ilha Grande são prejudicadas. Segundo ele, o oficial responsável por coordenar as ações fica em Itaguaí, distante 91 quilômetros de Angra. A sessão para discutir as denúncias de poluição no paraíso turístico levou cerca de cem pessoas à Câmara.

Azevedo fez um apelo para que a Anvisa destaque um funcionário para Angra dos Reis. Ele acrescentou que as análises do conteúdo das águas de lastro (água do mar captadas pelas embarcações para garantir suas estabilidades e seguranças operacionais) trazidas pelos navios estão prejudicadas.

- A Anvisa tem um papel de extrema importância na inspeção de navios que chegam de outros países à Baía da Ilha Grande. Mas não temos o órgão ativo na cidade - reclamou o vereador.

Ao percorrer trechos da Baía de Ilha Grande, na tarde de quarta-feira, O GLOBO flagrou embarcações fazendo operações chamadas ship-to-ship, quando há transferência de petróleo entre os navios. O temor de possíveis vazamentos de óleo decorrentes deste processo é a maior preocupação de ambientalistas da região. Na audiência, o gerente do Terminal da Baía da Ilha Grande (Tebig), operado pela Transpetro, Virmar Muzitano, garantiu que estas trocas de combustíveis entre navios seguem normas internacionais de segurança.

- Fazemos estas operações há quase dois anos sem registrar nenhum acidente. Nossa equipe de contingência, para casos de emergência, estão em alerta 24 horas - garantiu o gerente. - São operações feitas no mundo inteiro. Fizemos testes e estudos durante um ano.

Capitania critica descuido de barcos de passageiros

O presidente da TurisAngra, Daniel Santiago, pediu cautela na averiguação das denúncias levantadas pelo dono de uma pousada da praia do Bananal, Carlos Kazuo:

- As informações precisam ter dados técnicos mais profundos. O desenvolvimento das atividades econômicas do Pré-Sal trarão impactos.

Em nota, a Capitania dos Portos do Rio de Janeiro esclareceu que atua de forma preventiva realizando vistorias e inspeções em embarcações objetivando minimizar a ocorrência de acidentes, ou ações de poluição. O delegado da Capitania de Angra dos Reis, André Luis Silva, reforçou a importância de os flagrantes de poluição serem comunicados imediatamente aos órgãos de fiscalização. Ele disse ainda que, durante sua gestão, a maior causa de danos ambientais em praias da Ilha Grande tem sido o descuido de barcos de transporte de passageiros, e não de navios de cargas e plataformas.

- Escunas e saveiros muitas vezes acabam despejando resíduos oleosos na baía - afirmou o delegado.

Para o atendimento ao público, a Delegacia da Capitania dos Portos em Angra dos Reis põe à disposição o endereço eletrônico secom@dlangr.mar.mil.br e o telefone (24) 3365-0365

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SOS Ilha Grande


É sacanagem! Por onde navega a polícia marítima? E a Capitania...? É caso de polícia! SOS Ilha Grande.

Poluição ameaça Lagoa Azul, cartão-postal da Ilha Grande
Por Emanuel Alencar
O Globo, 14 de setembro de 2011

RIO - A poluição num dos santuários da Ilha Grande mais apreciados por turistas - um trecho no mar conhecido como Lagoa Azul - será tema de uma sessão especial da Câmara dos Vereadores de Angra dos Reis, nesta quarta-feira, às 15h. Há um mês, o Ministério Público estadual recebeu um documento com denúncias sobre despejo de esgoto e outros poluentes, decorrentes de reparos de navios e plataformas de petróleo e do excesso de transatlânticos, entre a Lagoa Azul e a Ponta do Bananal. A convite do presidente da Casa, o vereador José Antônio Gomes (PCdoB), representantes de órgãos ambientais, da Capitania dos Portos e da Transpetro, que administra um terminal em Angra, foram convocados para discutir o assunto.

Na sessão, também serão debatidos os riscos de poluição provocados pela transferência de petróleo entre navios. A incidência de danos ambientais preocupa num momento em que o Porto de Angra passa por obras de ampliação e a circulação de embarcações aumenta a cada dia, impulsionada por atividades ligadas ao Pré-Sal.

Imagens revelam navios sendo pintados no meio da baía

O ponto que recebe a maior atenção de ambientalistas é uma área de cerca de 50 mil metros quadrados, distante dois quilômetros da Enseada do Bananal. A Marinha considera o trecho propício ao fundeio de embarcações - ou seja, onde navios e plataformas podem ficar estacionados. Mas a reclamação de moradores da ilha é que faltam parâmetros para ordenar o entra e sai de navios e plataformas do santuário.

Dono de uma pousada no Bananal, Carlos Kazuo é o autor do dossiê que foi enviado ao MP. No documento, constam imagens de vazamentos de óleo e denúncias de negligência ambiental de embarcações na Ilha Grande há quatro anos. Em 2009, ocorreu o caso mais grave: uma mancha de tinta proveniente da pintura de uma plataforma atingiu a Enseada do Bananal e o Sítio Forte. Há ainda imagens de navios tendo o casco pintado no meio da baía.


- A variedade de nacionalidades de navios que circulam pela Baía da Ilha Grande preocupa, pois não sabemos o que eles carregam nos cascos e nas águas de lastro. Há indícios de que uma espécie invasora de coral foi introduzida pelas embarcações - diz Kazuo.

Outras reclamações são o excesso de motores ligados próximo às praias e o despejo de materiais, como barras de ferros e lonas, no fundo do mar.

As análises das condições de balneabilidade das praias de Ilha Grande mostram que as límpidas águas características do lugar estão sob ameaça. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) faz coletas periódicas em cinco pontos de quatro praias - Provetá, Araçatiba, Saco do Céu e Abraão. No último boletim, divulgado em fevereiro, a Praia de Provetá foi considerada imprópria para o banho.

Outro teste, feito em março pelo laboratório da Selo Verde Consultoria, credenciado pelo Inea, constatou alto índice de coliformes fecais entre a Ponta do Bananal e a Lagoa Azul: 1.100 por mililitro. Mas a gerente de Qualidade da Água do Inea, Fátima Soares, ressalta que é necessário ter uma série histórica com pelo menos seis análises para uma conclusão precisa sobre a balneabilidade.

A qualidade é satisfatória quando, em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver no máximo mil coliformes fecais por cem mililitros de água, conforme estabelece a resolução 274 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Para a bióloga Denise Gueiros, responsável pela análise, a presença de 1.100 coliformes por mililitro indica contaminação a 50 metros da praia:

- Com certeza, houve contaminação no local por fezes humanas, pois o resultado ultrapassa os parâmetros comuns naquela região.

A própria atividade turística contribui para a degradação ambiental da Lagoa Azul, diz o superintendente regional do Inea na Ilha Grande, Júlio Avelar:

- Muitas embarcações jogam material orgânico nas águas. Mas a falta de saneamento é o principal problema.

Ele concorda que é preciso fixar parâmetros para a atracação de navios e plataformas na Baía da Ilha Grande. E reconhece dificuldades na fiscalização:

- É possível que haja plataformas que cheguem sem a anuência do Inea. Algumas irregularidades estão acontecendo. Por isso, é necessário um trabalho conjunto da Capitania dos Portos, do Inea e do Ibama.

Baía da Ilha Grande recebe 80 navios por mês

Para o presidente da Câmara de Angra, José Antônio Gomes, o objetivo da audiência é alertar para a poluição numa área de forte apelo turístico:

- Por mês, chegam 80 navios à Baía da Ilha Grande. Sem contar com as temporadas de férias. É preciso discutir uma alternativa para que essa maravilha seja preservada.

Já para o presidente da TurisAngra, Daniel Santiago, é preciso expandir as opções de roteiro turístico, para "desafogar as áreas com muita concentração de embarcações, como a Lagoa Azul".

A Capitania dos Portos de Angra não retornou as ligações do GLOBO. Já a Transpetro informou que não faz reparos navais na região de Angra nem opera plataformas.

Gaspari, sempre genial

Excelente ideia de Elio Gaspari de rebatizar com o nome de Eduardo Paes a escola que ficou em último lugar em desempenho. Bela multa!

De Sergio.Buarque@edu para Dilma@gov
ELIO GASPARI
FOLHA DE SP - 14/09/11

Afastem de mim esse cálice e troquem o nome da escola, chamem-na "Prefeito Eduardo Paes"

Companheira Dilma, Veja o que fizeram comigo. A Prefeitura do Rio deu meu nome a uma escola municipal da Barra da Tijuca, e ela foi a última colocada na lista de desempenho dos colégios da cidade. Fez 467 pontos, contra 761 do campeão (o São Bento) e 553 da média nacional. Meu primeiro impulso foi escrever ao prefeito Eduardo Paes repetindo-lhe um pedido do meu filho: "Pai, afasta de mim esse cálice". Tire o meu nome desse pecado. O Evaristo de Moraes, que está aqui comigo, lembrou que proibiu que dessem seu nome a presídios.

Criminalista, não queria ser associado a misérias. Você mesma viveu o absurdo de ser uma das detentas de um presídio chamado Tiradentes. Escrevo-lhe para que leve minha zanga ao prefeito. Ele tem medo de você.

Gastei meus primeiros 80 anos estudando nosso país, a vida e lecionando. Daqui, vi o que aconteceu com a repórter Cibelle Brito quando ela quis saber porque a minha escola foi reprovada. Dois professores trocaram algumas palavras com ela, mas não quiseram dizer seus nomes. Só os alunos falaram, queixando-se.

Companheira, olhe para a Escola Municipal Sérgio Buarque de Hollanda com atenção. Está mal conservada e os professores reclamam dos salários, mas há algo mais profundo. É a condição dos "desterrados em nossa terra". Os moradores daquele pedaço da Barra da Tijuca desterraram seus filhos para bons colégios, em outros bairros. Quem estuda lá são os desterrados de outras localidades, mais pobres.

Outro dia o Darcy Ribeiro (sempre encantado pela Leila Diniz) ria do desconforto causado na burocracia educacional pelas avaliações dos desempenhos das escolas. Os americanos transformaram o desempenho em pedra angular de seu sistema. Copiamos. Agora os americanos começam a criticar essa aferição, falamos em destruí-la. Tudo ou nada. Não entra no debate o absurdo de escolas que não servem aos moradores de suas localidades. A aferição é apenas uma medida. Sem mais nada, nada é. Sabendo que citar Sérgio Buarque dignifica qualquer texto, cito-me: "De todas as formas de evasão da realidade, a crença mágica no poder das ideias pareceu-nos a mais dignificante em nossa adolescência política e social".

Para que não se diga que estou num exercício livresco, faço-lhe uma proposta. Continuem a dar o nome dos outros a escolas, mas a partir de hoje, toda vez que um colégio ficar em último lugar no Enem, abaixo da média nacional, a homenagem será suspensa temporariamente, e a instituição, rebatizada com o nome do prefeito ou do governador. (No caso de escolas federais, com o seu.) Assim, peço à garotada da "Sérgio Buarque de Hollanda" que não queiram mal a este velho fuçador de documentos, mas, a partir de hoje, digam que estudam na Escola Municipal Eduardo Paes.

Despeço-me desejando-lhe um bom governo, certo de que este fundador do PT ainda não tem motivos para rasgar a carteirinha (nº 003). Passaram-se 75 anos da publicação do meu "Raízes do Brasil" e, felizmente, posso dizer que a democracia, no Brasil, já não é "um lamentável mal-entendido".

Sérgio Buarque de Hollanda

quinta-feira, 28 de julho de 2011

João Saldanha na TV Brasil


Legal a matéria do site da Revista do Cinema Brasileiro sobre a minha entrevista falando do nosso filme "João". Eles produziram um programa sobre documentários brasileiros. Na pauta, além do "João", "Bezerra da Silva" e "Serra Pelada". Todos produzidos pela TV Zero. O programa vai ao no próximo sábado, 20h30, na TV Brasil.

"Dois Jornalistas"

“Mais do que qualquer coisa eu sou um jornalista”. Foi com essa afirmação que começou o meu papo com André Iki Siqueira, autor da elogiada biografia “João Saldanha, Uma vida em Jogo” e diretor do documentário João, longametragem sobre a vida do jornalista e comentarista de futebol João Saldanha. Com a afirmação Iki, gentilmente, só quis deixar claro que mais do que um trabalho ficcional, estético e de construção cinematográfica, o filme João é um trabalho minucioso de pesquisa de campo, acervo e textual. Um trabalho realmente jornalístico do ponto de vista do diretor. Sério e compenetrado, Iki, quase se deixou trair pela emoção ao falar daquele que parece ser seu grande ídolo, João Saldanha, o jornalista e também ativista político que marcou a história do futebol brasileiro. “Tanto o filme como o livro são os trabalhos que eu tenho mais orgulho na minha vida. Mas eu acho que o mais importante para mim foi conseguir produzir, dirigir um filme reconstruindo, a vida de uma pessoa que realmente sempre esteve em jogo”, disse Iki.

Geovana Cypreste

terça-feira, 19 de julho de 2011

Estão querendo enganar quem?

João Ubaldo Ribeiro - O Globo e O Estado de S.Paulo


Li em algum jornal que a Fifa, essa organização da qual volta e meia se evola um odorzinho de mutreta, que lida com cachoeiras de dinheiro, cujas decisões são às vezes vistas como fruto de processos viciados e que, enfim, não é nenhuma casa pia, ameaçou fazer a Copa de 14 na Espanha, se as obras aqui não forem apressadas - ou até mesmo iniciadas, como dizem que é o caso de muitas. Por artes do caprichoso destino, isso pode interessar à Espanha, que tem estrutura e está pendurada. Pode interessar a toda a Europa, aliás, devido ao reflexo dos problemas espanhóis na economia do euro. E talvez o Brasil nem conseguisse ir aos jogos, porque os espanhóis poderiam aparelhar os aeroportos para otimizar sua já tradicional deportação de brasileiros.

Apressar as obras significa, como também se divulga muito, relaxar controles sobre custos e gastos. Claro, qualquer que seja o resultado dos debates, todo mundo sabe que haverá roubo. Se for feita uma enquete, tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros acredita que vai haver roubo nessas obras, com sigilo, sem sigilo, de que forma for. Existirá sempre um jeito de roubar, entendido isto como faturamento fraudulento, propinas, desvios de materiais e serviços e, enfim, todo tipo de trambique aplicável, num repertório em que seguramente somos líderes mundiais.

Sim, todo mundo está cansado de saber disso. Então para que tanta complicação inútil, se tudo vai ser mesmo garfado, sempre foi, desde que nos entendemos e ninguém tem problemas ao ganhar dinheiro desse jeito? Há tantos estádios a construir, tantos aeroportos a reformar, tantas obras públicas, tantas armações que podiam já estar rendendo grana e ficamos nessa demora ridícula, repetindo atos ou palavras que nunca resolveram nada. Tanto o que surrupiar já dando sopa aí e esse pessoal perdendo tempo em formalidades que todo mundo sabe que não servem para nada, a não ser para embalar o sono dos que as ouvirem, em forma de discursos, no Senado Federal. Não havia nem necessidade da mãozinha que a Fifa está querendo dar (ou meter).

É difícil assistir a um noticiário de televisão em que não seja mostrado o desbaratamento e prisão (e imediata soltura, em questão de segundos) de pelo menos uma quadrilha que fraudava algum órgão público. Difícil, não, impossível; não me recordo de nenhum. Se qualquer político for acusado de ladrão numa roda de conversa, dificilmente alguém o defenderá com convicção, porque confere com o padrão que nos acostumamos a aplicar à nossa sociedade. Nenhum tipo de falcatrua ou sordidez nos surpreende e é bastante comum que, nessas conversas, alguém lembre uma história bem pior.

E os parlamentares, se não são todos ladrões em sentido amplo, são beneficiários impudentes de uma abundância obscena de privilégios, a começar pelo imoralíssimo foro especial, que os põe numa acintosa classe acima dos governados, a quem não prestam satisfações e cuja vontade ignoram, se não coincide com seus interesses. Há sentido nas miríades de "ajudas", nos fantásticos seguros de saúde, nas generosíssimas viagens e em tudo mais de que desfrutam para mal e pouco trabalhar, isto quando trabalham? Os estrangeiros têm dificuldade em compreender como uma sociedade aceita esse deboche deslavado, que ainda lhe é impingido com arrogância e ostentação de poder. Não acho de todo descabida a semelhança que vejo entre esses privilégios e os da corte de Luís XIV, na França do século 18. De fato, como já disse aqui, o Estado entre nós não é o rei, que não temos; mas o Estado entre nós é dos governantes e a soberania é deles, respeitados os donos da economia.

No serviço público, a falta de compostura e o nepotismo, embora hoje disfarçado pelos intrincados laços familiares dos brasileiros, são a regra. O que é público não é de ninguém, começando pelo material de escritório levado para casa e terminando pelos cartões corporativos. Ocupantes de cargos públicos de relevância se associam secretamente a empresas de "consultoria" e assim ganham fortunas, fazendo na verdade advocacia administrativa e tráfico de influência. Egressos do serviço público caem na mesma prática, pois o serviço público aqui não é para o público, mas para quem o presta, ou alega prestar. O serviço público é uma oportunidade para "se fazer". Comportam-se assim até os menos rapineiros, que se contentam em "colocar" um filho aqui ou acolá, ou bem encaminhar seu futuro depois da política, apesar de já bastante acolchoado por aposentadorias magnânimas e benesses liberais.

E ninguém, afinal, é punido por nada. Se antes isso se aplicava somente aos ricos e poderosos, agora vale para todos. A melhor maneira de matar alguém no Brasil é ficar bêbado, pegar o carro e atropelar a vítima. Aí o atropelador se recusa a usar o bafômetro e vai para casa, responder a processo em liberdade, para, no caso difícil de vir a ser condenado, cumprir a pena também em liberdade. Embriaguez pode até virar atenuante, surto psicótico. Matar gente, aliás, é cada vez mais fácil, talvez mais que roubar. Matar bicho nem tanto, mas pega mal o sujeito sair dizendo que está sob a proteção do Ibama.

É por essas e outras que eu digo: vamos parar com essa enrolação toda, que chega a nem ficar bem, parece sabotagem com a Seleção. Não já estamos exaustos de saber que, em ocasiões semelhantes, meteram a mão na granolina para valer? Não é assim que se faz e sempre se fez neste país, como costumava lembrar um grande líder nosso? Então vamos liberar logo essa grana e sossegar a rapaziada, corrupto também fica estressado. E, afinal de contas, não somos assim tão bestas, pensam que estão nos enganando, mas não estão. Nós sabemos de tudo e não somos bobos, somos apenas omissos, submissos, cínicos e cada vez mais moralmente insensíveis - ninguém é perfeito.